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A inteligência artificial e os processos de prevenção à lavagem de dinheiro

Discussões aconteceram durante o 13º Seminário de Controles Internos & Compliance, Auditoria e Gestão de Riscos, que ocorre em paralelo à 9ª CONSEGURO

04 de Setembro de 2019 - CNseg

AI lav dinheiro_int.jpgDa esquerda para a direita: o diretor Técnico e de Estudos da CNseg, Alexandre Leal; a procuradora Federal Especializada da CVM, Ilene Najjarian; o coordenador-geral da Gestão da Informação da UIF, Clesito Fechine; o coordenador de Práticas de Mercado da Susep, Gustavo Dias; e o superintendente da Porto Seguro Rafael Kozma

“Usar a máquina”. Assim o coordenador-geral de Gestão da Informação da Unidade de Inteligência Financeira (UIF), Clesito Fechine, resumiu como podem ser melhorados os processos de prevenção à lavagem de dinheiro. Para ele, o uso da Inteligência Artificial (IA) abre uma infinidade de possibilidades para aperfeiçoar o PLD/FT. “Quem não estiver usando essa tecnologia vai ficar para trás”, ressaltou.

Clesito Fechine foi um dos palestrantes do 13º Seminário Controles Internos & Compliance, Auditoria e Gestão de Riscos, que ocorre em paralelo à CONSEGURO 2019, abordando o tema “A Inteligência Artificial e os Processos de Prevenção à Lavagem de Dinheiro”. Na UIF, segundo Fechine, houve, nos últimos anos, um aumento de 140% na comunicação de suspeitas de lavagem de dinheiro. “Isso foi o principal motivador para buscarmos o uso da tecnologia”, disse. “Hoje, utilizando o processamento de dados e gerando variáveis, podemos identificar com mais eficiência a possibilidade de lavagem de dinheiro”, disse.

Na mesma mesa, debatendo o tema, estava o coordenador da área de Análise de Práticas de Mercado (COAPM) da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Gustavo Dias. E ele também foi enfático em relação ao uso da Inteligência Artificial no combate à lavagem de dinheiro: “As empresas têm apenas o agora para experimentar a tecnologia e corrigir o que deve ser corrigido. Quem não fizer isso agora, daqui a pouco não consegue mais e vai ficar de fora”

Gustavo Dias ressaltou que a Susep passou por mudanças profundas e abriu novos caminhos. E uma das principais mudanças citadas por ele foi que área de Tecnologia da Informação, conforme afirmou, “saiu de baixo da administração e agora é ligada diretamente à superintendência”.  Para ele, quando se passa a ter um sistema que identifica padrões suspeitos, o próprio sistema consegue fazer uma análise de dados mais eficiente.

Ilene Najjarian, procuradora Federal Especializada da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), também participante da mesa, foi categórica ao afirmar que “os criptoativos chegaram para ficar” e que este é um desafio a mais no combate à lavagem de dinheiro.  “Hoje, o ideal seria monitorar o cliente”, ressaltou Najjarian. A tendência, segundo ela, é que as seguradoras passem a produzir suas criptos e que também se preparem para a tokenização. “A cripto vai chegar no setor de seguros talvez mais rápido do que imaginam”, disse.

Detectar uma operação com indícios de lavagem de dinheiro não é uma tarefa simples, mas para o superintendente da Porto Seguro, Rafael Kozma, debatedor da mesa, o uso da Inteligência Artificial trouxe uma nova dinâmica no processo de PLD. “O crime evoluiu. E se a gente continuar com regras estáticas, vamos nos perder no tempo”, concluiu.

 

 

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